Conto
PaulinhO
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
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[Micro-conto] Traços Humanos
De todos os traços da personalidade humana a traição, sem duvida alguma é a mais notável.
Venho por entres os séculos observando. As punhaladas sempre vêem em maior quantidade em relação aos laços de lealdade.
O mais cruel, em minha opinião, foi o com minha irmã. Uma a mais apenas na historia. Mas minha irmã…
Morávamos em uma aldeia há centenas de anos. O lugar era calmo e agradável. Não nos misturávamos muito com as outras pessoas. Mas posso dizer que era um vinculo de convivência agradável.
Os anos foram se passando, as pessoas morrendo, outras chegando, as crianças cresceram, tiveram filhos… e esses filhos, tal como elas, ficavam doentes.
Não havia muitos recursos, não havia antibióticos. Mas, havia nossos chás, nossas infusões. A nossa medicina jamais falhava. As nossas plantas tudo curavam. Dessa forma, as crianças das qual já citei, cresceram sadias.
Mas, toda nossa bondade é esquecida.
A inquisição veio, e veio atrás de nós. Eu nunca soube quem nos denunciou.
Numa noite entraram em nossa cabana. Escapei pela janela. Já havíamos conversado, eu e minha irmã sobre isso…
Fugi para um lugar não muito longe dali onde passei a noite. Por meio de burburinhos ouvi que seria queimada em dois dias. Meu coração partiu como jamais havia se partido.
Ainda havia uma luz em meu peito. Pensei que jamais as crianças e pessoas de qual havíamos tratados nos virariam as costas. Não depois de tudo o que fizemos por elas. A tiramos das garras da morte sempre astuta que insiste em dar fim àquilo que não se completou.
Vi os dias passarem rápido. Vendo que nada se resolvia, entrei em desespero.
O jeito era ir ver a execução e esperar que alguém se manifestasse. Tinham que se manifestar, nós praticamente garantimos a sobrevivência daquela aldeia!
No outro dia cedo, vesti-me como uma capa que encobria meu rosto e fui ate o local da execução.
Não podia dar sinais de minha presença ali, mas acreditava que o povo fielmente a salvaria.
Chegando la, vi toda a aldeia em volta da onde seria a fogueira. E minha irmã la amarrada. Ela sentiu a minha presença e logo me achou.
Incrível como se manteve dura. Não chorava nem esboçava nenhuma emoção. Um homem começou a ler então sua sentença. Eu olhava em volta em pânico, procurando alguém que se manifestasse.
Com o decorrer da leitura, a movimentação começou. Mas, jamais do jeito que imaginei.
Gritavam em uma só voz: “Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa!”. Os punhos erguidos.
Eu estava inconformada. Muitos dos que gritavam haviam sido curados por nós! De enfermidades graves! Minha irmã vendo minha inquietação lançou-me um olhar duro e penetrante. Aquietei-me.
Ao fim da leitura, ela respirou fundo. Pareceu se arrumar um pouco. Olhou para meu rosto uma ultima vez. Não agüentei, virei às costas e sai correndo chorando. Ela era forte. Não ouvi gritos seus.
Larguei tudo para trás. Nunca mais voltei à aldeia ou a cabana. Deixei toda aquela população a própria sorte. Soube que foram dizimados por uma doença que eu e minha irmã poderíamos ter facilmente tratado.
Hoje, com a medicina avançada não me procuram para curar enfermidades do corpo e sim da alma. Porque na alma, a ciência nunca consegue tocar.
Mas recuso-me a ajudar de forma eficiente. Nunca se sabe do dia de amanhã. O sentimento de traição jamais ira se apagar de meu coração.
FIM
Créditos : Aqui
Venho por entres os séculos observando. As punhaladas sempre vêem em maior quantidade em relação aos laços de lealdade.
O mais cruel, em minha opinião, foi o com minha irmã. Uma a mais apenas na historia. Mas minha irmã…
Morávamos em uma aldeia há centenas de anos. O lugar era calmo e agradável. Não nos misturávamos muito com as outras pessoas. Mas posso dizer que era um vinculo de convivência agradável.
Os anos foram se passando, as pessoas morrendo, outras chegando, as crianças cresceram, tiveram filhos… e esses filhos, tal como elas, ficavam doentes.
Não havia muitos recursos, não havia antibióticos. Mas, havia nossos chás, nossas infusões. A nossa medicina jamais falhava. As nossas plantas tudo curavam. Dessa forma, as crianças das qual já citei, cresceram sadias.
Mas, toda nossa bondade é esquecida.
A inquisição veio, e veio atrás de nós. Eu nunca soube quem nos denunciou.
Numa noite entraram em nossa cabana. Escapei pela janela. Já havíamos conversado, eu e minha irmã sobre isso…
Fugi para um lugar não muito longe dali onde passei a noite. Por meio de burburinhos ouvi que seria queimada em dois dias. Meu coração partiu como jamais havia se partido.
Ainda havia uma luz em meu peito. Pensei que jamais as crianças e pessoas de qual havíamos tratados nos virariam as costas. Não depois de tudo o que fizemos por elas. A tiramos das garras da morte sempre astuta que insiste em dar fim àquilo que não se completou.
Vi os dias passarem rápido. Vendo que nada se resolvia, entrei em desespero.
O jeito era ir ver a execução e esperar que alguém se manifestasse. Tinham que se manifestar, nós praticamente garantimos a sobrevivência daquela aldeia!
No outro dia cedo, vesti-me como uma capa que encobria meu rosto e fui ate o local da execução.
Não podia dar sinais de minha presença ali, mas acreditava que o povo fielmente a salvaria.
Chegando la, vi toda a aldeia em volta da onde seria a fogueira. E minha irmã la amarrada. Ela sentiu a minha presença e logo me achou.
Incrível como se manteve dura. Não chorava nem esboçava nenhuma emoção. Um homem começou a ler então sua sentença. Eu olhava em volta em pânico, procurando alguém que se manifestasse.
Com o decorrer da leitura, a movimentação começou. Mas, jamais do jeito que imaginei.
Gritavam em uma só voz: “Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa!”. Os punhos erguidos.
Eu estava inconformada. Muitos dos que gritavam haviam sido curados por nós! De enfermidades graves! Minha irmã vendo minha inquietação lançou-me um olhar duro e penetrante. Aquietei-me.
Ao fim da leitura, ela respirou fundo. Pareceu se arrumar um pouco. Olhou para meu rosto uma ultima vez. Não agüentei, virei às costas e sai correndo chorando. Ela era forte. Não ouvi gritos seus.
Larguei tudo para trás. Nunca mais voltei à aldeia ou a cabana. Deixei toda aquela população a própria sorte. Soube que foram dizimados por uma doença que eu e minha irmã poderíamos ter facilmente tratado.
Hoje, com a medicina avançada não me procuram para curar enfermidades do corpo e sim da alma. Porque na alma, a ciência nunca consegue tocar.
Mas recuso-me a ajudar de forma eficiente. Nunca se sabe do dia de amanhã. O sentimento de traição jamais ira se apagar de meu coração.
FIM
Créditos : Aqui
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